
(P.S. I love you)
If there are images in this attachment, they will not be displayed. Download the original attachment
























* Outubro de 2007, post dedicado.






Vou-me embora, mas mantêm-se os disclaimers, os direitos de autor e as condições de reprodução destes textos em casas alheias: este blogue acaba aqui, mas nem por isso é letra morta. Quem me conhece de outras paragens sabe por onde ando. Quem não sabe mas estiver interessado em saber, é favor usar o mail que eu digo. Muito obrigada a todos por me lerem e por todas as mensagens que recebi, algumas até comoventes. Fico com a sensação de que, de certa maneira, mexi com a vida de muita gente, o que é bom e, ao mesmo tempo, um bocadinho assustador. Que se gastem estas palavras de tanto serem lidas, é o que desejo (e que para alguém hão-de ser verdade).
Sofia Vieira


















































(blue)












(moulin rouge)
(delta of venus)



















(underground)











(bugsy)



Fico aqui à tua espera e temo que não venhas. Fico à tua espera, mesmo sabendo que não vens. Sei que não vens, mas mesmo assim fico. Ainda te lembrarás de mim? Fico. Não me perguntem nada, não me macem, deixem-me ficar apenas. Fico ao frio desta noite gélida das duas da tarde de um dia de Maio. Fico à mercê das vagas revoltas que me lambem o cabelo e me ensopam os ossos, pendurada numa luzinha tremeluzente numa esquina ensolarada desta cadeira. Fico à janela deste cigarro, único farol de mim. Desde que saíste eu nunca mais fui a mesma. Quando cheguei e não estavas não me encontrei. Procurei-me e procurei-me mas em vão. Não sei de mim, onde me terei guardado, onde me terei metido. Não sei de mim. Se calhar levaste-me. Procura recordar-te, vê se te lembras. É importante para mim. Faço-me falta. Pensa bem. Tenta recordar-te. Comigo terás levado também aquela minha saia curta berrante que agora não sei usar. E aquela gargalhada aberta, que tão bem me fazia. Procura bem nos bolsos do casaco. No bolso de trás das calças onde eu me metia quando passeávamos pela rua agarrados. Procura-me entre o teu cabelo, vê lá se não é a mim que ainda cheira o teu cabelo. Procura-me bem no teu peito, pelas vezes que nele adormeci em tantas noites de televisão. Procura-me no teu olhar. Não é outra senão eu quem ainda vês, sentada de costas para ti nessa esplanada, onde por acaso te apanhas se distraído do jornal. Procura-me nas tuas narinas. Diz-me lá se não é a mim que te cheira a camisa que vestes pela manhã. Não voltas eu sei, mas ao menos devolve-me, ainda me tens?
(repulsion)

(catin a hot tin roof)


(wild at heart)






































Descubro-me um lado romântico que não sabia que tinha, povoado de ensejos baratuchos e vulgaridades de lineu. O Amor democratiza-me: não são os nocturnos de Chopin nem as cantatas de Bach ou o número cinco para piano de Beethoven, nem sequer os poemas de Vinícius ou de Yeats, que me denunciam os suspiros. São as andorinhas que se começam a ver nos beirais, com o seu prrrriu afadigado num acasalamento frenético, é um êxito de sempre do Tony Carreira que passa numa rádio local (e cujo refrão me sai num berreiro sentido pela janela entreaberta do carro), as rosinhas de Santo António que enfeitam as peças de chita empoleiradas nas prateleiras das retrosarias de bairro, o beijo roubado em segredo no ducentésimo episódio da novela das sete e o anel de plástico muito seventies que vi na feira da ladra e que (no meu dedo) nos selaria na perfeição; são os cartões que sobraram do dia dos namorados, com os seus corações animados que apitam e cheiram a morango e trazem recadinhos acoplados, és o amor da minha vida, quero-te muito, e os anúncios às escapadelas de fim-de-semana para dois, as suites nupciais com colchões de água, os passeios nas termas e os beijos no alto da serra (que poderiam ter a tua música favorita como fundo e a toalha do picnic, aos quadrados adamascados, como lençol de baixo).

Contente, quase feliz, porquê não sei. Hoje, tenho-te leve, apenas encostado ao coração, baldeado mais para lá do que para cá. Pergunto-me se será um já esteve mais longe que me segredo a medo, e devolvo-me a resposta pronta, que absurdo. É assim que te gostaria sempre: uma lembrança calma como as manhãs no campo, com os seus piares ao longe e o rumorear abafado das copas floridas. Não te ter e não te sentir a falta, fazer amor e não me impedir de fechar os olhos, não ter de me obrigar a um ponto fixo algures no corpo que ondula e vacila e descai sobre o meu esterno em arco, para não me distrair do prazer que ele me dá, esse outro corpo, caso contrário, sou eu que me ondulo e vacilo e me descaio em ti.
